Marianenses que participaram da Independência do Brasil

06/09/2019 às 16h29

O Capitão-mor José Joaquim da Rocha, do conselho de Sua Majestade o Imperador Dom Pedro I, dignitário da ordem imperial do Cruzeiro, nasceu na cidade de Mariana, antiga capital da província de Minas Gerais, em 19 de outubro de 1777; ali fez seus estudos e com tanto aproveitamento, que com 16 anos de idade, por escolha de seu mestre o padre Pascoal Bernardino de Matos, que foi mestre dos marqueses de Queluz, Barbacena e Sabará, dos conselheiros Lúcio Soares Teixeira de Gouveia e Francisco de Paula Pereira Duarte, regeu a aula de latim de que o mesmo era professor; casou-se em 25 de abril de 1798, por cujo motivo deixou de seguir para a Universidade de Coimbra, para se formar em Direito; serviu vários cargos da governança e ofícios de justiça, únicos empregos que então havia em sua cidade natal, e com tal perícia e bom comportamento se houve que mereceu a estima não só dos juízes com quem serviu, como do reverendo bispo que então regia a diocese de Mariana.

Foi oficial do regimento de milícias da cidade e capitão de ordenanças de um distrito próximo a ela, para cujo posto foi escolhido para com sua prudência e tino fazer cessar as dissensões que existiam entre diversos possuidores de terras auríferas do lugar, o que conseguiu sem estrépito de armas, ou de injustiça, por cujo serviço, e por outros prestados depois, foi promovido ao posto de capitão-mor agregado, e de efetivo por morte do que o era

Em 1808, quando a família real portuguesa chegou ao Rio de Janeiro, veio ele procurar algum emprego que estivesse a par de seus conhecimentos; aqui se fixou, e, ainda que não formado em Direito, estabeleceu banca de advocacia;

Em 1821, quando se proclamou no Rio de Janeiro a Constituição de Portugal, o capitão-mor Rocha aderiu a ela como o meio mais seguro de manter-se a união das províncias do Brasil,elegeu deputado suplente às Cortes de Portugal pela provincia de Minas.

Quando em dezembro de 1821 chegaram ao Rio de Janeiro os decretos das Cortes de Portugal, de 29 de setembro do mesmo ano, um que, destituindo o Brasil da categoria de reino a que fora elevado pela carta de lei de 16 de dezembro de 1815, dava nova forma ao governo das províncias, e outro que mandava retirar-se do Brasil, para viajar pela Europa, ao Principe D. Pedro de Alcântara, príncipe real do reino unido de Portugal, Brasil e Algarves. O capitão-mor Rocha foi o primeiro que teve a lembrança de pedir-se ao príncipe regente que suspendesse a sua partida até que às Cortes de Portugal fossem dirigidas representações dos povos do Rio de Janeiro, São Paulo, Minas e outras províncias do Brasil. Foi idelizador e principal articulador no Brasil para permanencia de Dom Pedro I no Brasil.

Há relatos que o Capitão José Joaquim da Rocha escreveu o pronunciamento de Dom PedroI ao Povo  Brasileiro denominada Dia do Fico.

Em atenção aos serviços prestados ao país pelo capitão-mor Rocha, foi ele agraciado pelo novo imperador com a insígnia de dignitário da ordem imperial do Cruzeiro, criada no dia 1º de dezembro do ano 1922, e escolhido pela província de Minas como representante dela na Assembléia Geral Constituinte, que se devia reunir no dia 3 de maio de 1823.

É a independência tal qual a concebeu José Joaquim da Rocha, e tal qual a realizaram os brasileiros, o monumento de glória que ilustrará eternamente a memória desta ilustre vítima de uma inqualificável modéstia, em uma época em que se pede o prêmio antes da vitória, e o salário antes do trabalho.

 

Felisberto Caldeira Brant Pontes de Oliveira Horta, primeiro visconde com grandeza e marquês de Barbacena, (Mariana, 19 de setembro de 1772 — 13 de junho de 1842) foi um militar, diplomata e políticobrasileiro.

Frequentou o Colégio dos Nobres, em Lisboa e a Academia de Marinha. Transferiu-se para o Estado-maior do exército português e foi ajudante de ordens do governador de Angola.

Veio para o Brasil em 1807 junto com a corte de Dom João VI, episódio conhecido como a tranferência da corte portuguesa para o Brasil. Foi pioneiro da navegação a vapor no Brasil, em 1818, Nomeado por José Bonifácio de Andrada e Silva em 12 de agosto de 1822 encarregado de negócios do Brasil em Londres, para tratar do reconhecimento da independência do Brasil pelo Reino Unido.

Foi depois ministro da Fazenda, ministro do Império, deputado geral e senador do Império do Brasil de 1826 a 1842.Enviado como comandante-chefe das tropas brasileiras na guerra Cisplatina, substituiu Francisco de Paula Massena Rosado, encontrou uma tropa em frangalhos que conseguiu recuperar com sucesso. Atuou bravamente na batalha do Passo do Rosário em 27 de Fevereiro de 1827 onde, apesar da derrota, o exército brasileiro não sofreu um revés considerável e as tropas argentinas retornaram a província Cisplatina, atual Uruguai.

Já em dezembro lhe coube organizar o ministério e fez reformas salutares. Por ter influência sobre D. Pedro I, conseguiu a partida de Rocha Pinto e do Chalaça, Francisco Gomes da Silva. Há historiadores que o elogiam como o mais inteligente dos amigos e colaboradores de D. Pedro. Teve a idéia de aprumar o governo pela simples prática do regime, ou seja, pelo único expediente compatível com a monarquia constitucional: o de dar satisfações ao Parlamento. Atacou logo o "gabinete secreto", afastou os eternos validos Francisco Gomes e Rocha Pinto, enviados a passear na Europa. Seu programa parecia ser o de tornar D. Pedro um imperador constitucional.

 

João Severiano Maciel da Costa,Marquez de Queluz:Bacharel em Leis pela Universidade de Coimbra. Nasceu em 1760 na cidade de Mariana em Minas Gerais. Faleceu em dezembro de 1834.Seguindo a carreira judicial, era desembargador em 1808 quando chegou Brasil a família real portuguesa, por causa da entrada dos franceses em Portugal. Em 1809 o governo português, em guerra aberta com a França, tomar a Guiana Francesa, João Severiano Maciel da Costa foi nomeado governador da nova província brasileira, que exerceu esse cargo até que, pelo tratado de 1815, tivemos de restituir à França essa sua possessão americana. Em 1821, quando D. João VI regressou à Europa, Maciel da Costa acompanhou-o, mas as cortes não o deixaram desembarcar, e Maciel da Costa teve de voltar para o Brasil, onde foi um dos agentes do império. Prosseguiu na sua vida politica, sendo senador e ministro; foi agraciado com o título de visconde, e depois com o de marquês de Queluz.

Foi deputado à Assembléia Constituinte pela província de Minas Gerais. Dissolvida a Assembléia, foi nomeado Ministro do Império e ocupou o cargo de 10 de novembro de 1823 a 14 de outubro de 1824. Integrou o conselho de dez membros nomeado pelo imperador para redigir o novo projeto de Constituição, que ficou sendo chamado Conselho de Estado.

Foi ministro da Fazenda, conselheiro de Estado, presidente da província da Bahia e senador do Império do Brasil de 1826 a 1833. Feito dignitário da Imperial Ordem do Cruzeiro em 1824.

Neto do coronel Maximiano de Oliveira Leite, potentado da zona do Carmo, descendia portanto do grande bandeirante Fernão Dias. Seus pais foram o coronel Domingos Alves de Oliveira Maciel, advogado, deputado à Assembléia Constituinte, casado com Juliana de Oliveira, e seus filhos assinavam Maciel da Costa, entre eles João Tavares Maciel da Costa, primeiro barão e segundo visconde com Grandeza de Queluz.

 

Mariana, nossa cidade, possui credenciais para ser reconhecido como uma das Cidades brasileiras que tem oferecido ao País um expressivo número de personalidades com inegáveis dimensões históricas, que pela inteligência, heroicidade e insurgência justificariam a edificação de um Panteão Estadual, onde repousariam suas cinzas e seus nomes ali apostos, inspirariam os vivos e os pósteros.
Dentre os Marianenses que marcaram a nossa história, destaca-se pela singularidade de suas ações e pelo o estofo de suas idéias sociais,políticos e  pela luta para independência do Brasil. Entre estes Marianenses, nesta data cívica, podemos citar: Capitão-mor José Joaquim da Rocha, João Severiano Maciel da Costa,Marquez de Queluz e o Felisberto Caldeira Brant Pontes de Oliveira Horta, Marquez de Barbacena.

A história de Mariana é entremeada por personalidades cuja expressão histórica requer estudos e menções, sem os quais as novas gerações permanecerão privadas dos elementos vitais, formadores da consciência cívica e da cidadania.
Em todos os momentos, as circunstâncias da nossa história inspiram homens que se tornaram emblemáticos, lutando pela liberdade, Igualmente e a fraternidade.

As montanhas destas terras são testemunhas que aqui nasceram homens que elevaram o espírito de um país livre e soberano.

O nosso compromisso com o presente nos conclama a não renunciar ao reconhecimento das contribuições marcantes que Marianenses assinalados por uma dimensão histórica realizaram. Os que, pela ação, coragem e patriotismo, valorizaram a nossa cidade e nos nutrem de esperanças num futuro de cidadania, igualdade e democracia, merecem ter seus nomes gravados em nossa memória cívica. Memória Marianense.
 

Texto  Cristiano Casimiro dos Santos

Fonte: Museu Paulista – Universidade de São Paulo - USP


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